A Região Norte do Brasil recebeu apenas 4,7% dos investimentos nacionais em saneamento básico entre 2020 e 2024, totalizando R$ 5,3 bilhões, o menor percentual entre todas as regiões do país. O dado consta em estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, elaborado com base em informações do SINISA 2024 do Painel Saneamento Brasil. A baixa aplicação de recursos agrava indicadores de acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto na região.
Desigualdade regional nos recursos de saneamento
Os estados da Região Norte ficaram atrás de todas as demais áreas do Brasil no período analisado. Enquanto o Norte concentrou 4,7% dos aportes, outras regiões obtiveram fatias significativamente maiores dos recursos destinados ao setor. O Acre aparece entre os estados mais afetados pela escassez de investimentos.
Os números revelam uma distribuição desequilibrada que persiste ao longo dos anos. Essa realidade compromete a universalização dos serviços de saneamento e mantém a população local em situação de vulnerabilidade sanitária.
Consequências para a saúde e a economia local
Indicadores precários de saneamento geram aumento nas internações por doenças de veiculação hídrica. O sistema público de saúde enfrenta sobrecarga adicional, elevando custos para o SUS e reduzindo a produtividade econômica das famílias e empresas da região.
Especialistas destacam que a falta de investimentos adequados perpetua um ciclo de problemas sanitários e sociais. A população da Região Norte continua exposta a riscos evitáveis que poderiam ser minimizados com maior aplicação de recursos.
Desafios para ampliar o acesso ao saneamento
Superar o déficit exige planejamento integrado entre governos federal, estaduais e municipais. A retomada de obras e a ampliação de sistemas de água e esgoto dependem de maior priorização orçamentária nos próximos anos.
Enquanto isso, os dados do estudo reforçam a necessidade de atenção contínua para a Região Norte, que ainda apresenta os piores índices de cobertura do país.