O governo brasileiro realizou um pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, vítima da ditadura militar, em cerimônia realizada na Universidade de Brasília. A ministra Janine Melo fez o pedido oficial em nome do Estado, com a presença de familiares, ex-colegas, comunidade acadêmica e membros das comissões de Mortos e Desaparecidos e de Anistia. O ato busca promover reparação simbólica à família e à sociedade brasileira.
O pedido oficial durante a cerimônia
A ministra Janine Melo destacou que o desaparecimento de Paulo de Tarso representa uma das faces mais cruéis da violência praticada pelo Estado durante a ditadura militar. A ausência de respostas sobre seu destino ainda impede a família de exercer plenamente o direito ao luto e desafia a sociedade na busca pela verdade. O reitora Rozana Naves também participou do evento e reforçou o compromisso da universidade com a memória.
Reconhecimento da ausência e da memória
O ato na UnB reconhece tanto a ausência de uma vida interrompida pela violência de Estado quanto a presença de uma memória que convoca a defender liberdade, pensamento crítico, justiça e democracia. Familiares e ex-colegas acompanharam a solenidade, que marca um passo importante na reparação histórica. A iniciativa atende a recomendações de comissões oficiais e reforça o compromisso com os direitos humanos.
O seu desaparecimento [de Paulo de Tarso] representa uma das faces mais cruéis da violência praticada pelo Estado durante a ditadura militar. A ausência de respostas sobre o seu destino ainda impede a sua família de exercer plenamente o seu direito ao luto e desafia toda a sociedade brasileira na busca pela verdade e pela memória
Janine Melo
Estar aqui hoje é reconhecer uma ausência, mas também reconhecer uma presença. A ausência de uma vida interrompida pela violência de Estado. A presença de uma memória que segue nos convocando para defender com coragem aquilo que sustenta uma universidade pública: liberdade, pensamento crítico, justiça, democracia e compromisso com o país. As lutas do passado seguem presentes nas condições que temos hoje para ensinar, pesquisar, discordar, criar a participar da vida pública
Rozana Naves